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Domingo, 11 de Dezembro de 2011

Componente formal: CMP e COP

CMP: A decisão sobre a extensão do segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto, a partir de 1 de Janeiro de 2013, será tomada na próxima reunião do grupo de trabalho ad-hoc sobre o Protocolo de Quioto estando em aberto duas possibilidades: 5 anos (até final de 2017) ou 8 anos (até final de 2020).

 

COP: Vários relatórios em causa, em particular o do grupo de trabalho ad-hoc da cooperação de longo prazo foram aprovados. Foi aprovado também o Fundo Climático Verde e principalmente a Plataforma de Durban para uma Acção Reforçada (o futuro acordo global).

 

A Presidência da Conferência considerou assim as diferentes componentes do denominado "Pacote de Durban" foram aprovadas.

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por Quercus às 02:18
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Mais dois documentos: Protocolo de Quioto e Fundo Verde Climático

Further Commitments for Annex I Parties under the Kyoto Protocol Draft Decision Agenda Item 8 - Green Climate Fund - 21h40 9dec11
por Quercus às 23:52
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Cada hora conta...

As salas do centro de conferências estão continuamente marcadas com reuniões. Estamos no penúltimo dia da conferência mas quase todos delegados esperam duas longas noites até sábado (excepto talvez a presidência da conferência que continua a afirmar que amanhã  a reunião ficará terminada). O dia começou com uma reunião entre as associações europeias para fazerem um ponto de situação e definirem a estratégia junto de ministros e negociadores nas próximas horas. Depois, e apesar de conversas informais que ocorrem ao longo do dia entre a Quercus e a restante delegação, às 11.15h houve lugar a um encontro mais formal entre o coordenador técnico das negociações da parte de Portugal e o director da Rede Europeia de Acção Climática e a Quercus. Entre as 14 e as 15h as associação de ambiente de todo o mundo tiveram a sua habitual reunião diária de troca de informações e definição de objectivos e actuação.

 

Após esta descrição, vale a pena fazer um ponto de situação. Por um lado há as grandes decisões e possíveis futuros: a continuação de Quioto (até 2017? até 2020?) e um caminho para um acordo global com metas vinculativas (a iniciar já e terminar em 2015), o continuar de Quioto só com a Europa, uma mera declaração de intenções, ou inclusive não decidir nada e forçar muitos países mais prejudicados com a ausência de um compromisso a forçarem uma solução no futuro. Os Estados Unidos da América e os países BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China – no fundo, grandes economias emergentes), são actualmente os países chave de uma decisão final.

 

Por outro lado, há um conjunto de decisões que foram consolidadas ao longo de anos ou dos últimos dias e que fazem parte agora do pacote a ser aprovado no plenário final, muitas delas relativas ao protocolo de Quioto, protocolo esse que ainda não se sabe se continuará e em que moldes. Vir a tratar o combustível fóssil com maior intensidade carbónica (o carvão) como uma forma de compensar emissões pode parecer uma anedota, mas é exactamente isso que está em causa ao se admitir o financiamento de projectos de captura e armazenamento de carbono ao abrigo do mecanismo de desenvolvimento limpo. Este foi um dos aspectos consensualizados pelos negociadores mas que é um atentado à integridade ambiental. Outros aspectos que podem comprometer também o objectivo de redução de emissões são o chamado ar-quente ou licenças de emissões (AAUs em inglês) excedentárias dos países que muitos querem passar integralmente para um próximo período de cumprimento ou ainda a forma de contabilização das emissões ou efeito de sumidouro do uso do solo e florestas. No seio da União Europeia, as diferentes visões entre a Polónia (que detém a presidência europeia) e outros países, uns mais progressistas que outros, é actualmente um assunto de decisão incerta.

 

No caso do Fundo Climático Verde, enquanto se discute onde fica sediado e qual a sua natureza legal, a Alemanha e a Dinamarca prometeram contribuir com 40 e 15 milhões de euros, respectivamente, para operacionalizar o referido fundo.

 

Como última nota, e sobre a agenda da Ministra do Ambiente, hoje pela hora de almoço houve uma reunião com os restantes Ministros da CPLP no sentido de articular posições no contexto da conferência e emitir uma posição comum.

 

 

por Quercus às 14:21
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Escolher a opção 1!

Em cima da mesa dos Ministros estão quatro opções. A Opção 1 assume a continuação de Quioto e o desenvolvimento de um protocolo ou instrumento juridicamente vinculativo no quadro da Convenção com base no Plano de Acção de Bali e dos Acordos de Canún, com negociações a partir de 2012 e a ser concretizado até 2015. No outro extremo, a opção 4 é não fazer nada. Mas as opções 2 e 3 também não servem aquilo que o clima exige – baseiam-se em mais diálogo e decisões eventuais tardias.

No entanto, os EUA, a Índia e China opõem-se a esta opção 1. Como é assim possível compatibilizar o amor da Índia e da China ao Protocolo de Quioto e sua devoção a um segundo compromisso período, com esta rejeição?

Há muito tempo que os ambientalistas defendem um profundo respeito por um sistema baseado em responsabilidades comuns mas diferenciadas e respectivas capacidades. Se as Partes querem levar realmente a um segundo período de compromisso de Quioto devem também construtivamente envolver-se para garantir um mandato em Durban, que construa um acordo global.

Entretanto há já uma nova versão de um dos textos fundamentais, o do chamado Grupo de Trabalho Ad-hoc de Cooepração de Longo Prazo (AWG-LCA) (http://unfccc.int/resource/docs/2011/awglca14/eng/crp38.pdf)

por Quercus às 09:36
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Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Faltam 5 dias!

Neste domingo as organizações não governamentais de ambiente incluindo a Quercus, estiveram reunidas no campus do Howard College da Universidade de KwaZulu‐Natal aqui em Durban. O objectivo foi fazer um balanço da primeira semana de negociações, olhando para os textos que estão em cima da mesa dos Ministros que estão a chegar. A análise é simples: houve pequenos avanços, mas o fundamental está em risco: um calendário, a ambição, a necessidade de conseguir conjugar esforços para impedir que o trabalho de quinze anos não seja deitado fora. O Fundo Climático Verde criado há um ano deve tornar-se um dossier concluído só que sem o dinheiro necessário. Na área da implementação legal do Protocolo de Quioto e de um futuro acordo global, não foi dado qualquer passo. Em causa estão decisões importantíssimas envolvendo metas e períodos de cumprimento, monitorização, revisão e verificação internacional, entre outros aspectos. Entre os países (ou grupos de países) que têm tido uma atitude positiva, a União Europeia, a China (cujo Ministro Xie Zhenhua reuniu hoje de manhã com as ONGAs e revelou que a China pode aceitar metas de emissões após 2020), os países pequenas ilhas, os países menos desenvolvidos. Do outro lado, o Canadá, os Estados Unidos que continuam a ser um país à margem do problema, mas também a Índia e algumas outras economias emergentes que têm tido posições complicadas em relação ao futuro.

 

Ao fim da tarde, no dia dedicado às florestas, Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção, mencionou que já não se coloca a questão de saber se haverá ou não um segundo período de cumprimento do Protocolo de Quioto mas sim como, que as discussões sobre os níveis de ambição podem decorrer durante a sua implementação que não terá qualquer intervalo após o final de 2012, sendo que a mitigação das emissões por parte de outros países não se finalizará em Durban. É um luz pequena ao fundo do túnel, mas ainda insuficiente.

 

De Portugal a Quercus espera que a Ministra do Ambiente, Assunção Cristas, que chega terça-feira, e discursará no segmento de alto nível quarta-feira cerca das 17 horas de acordo com o actualmente previsto, clarifique o caminho que entende a União Europeia deverá seguir.

 

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por Quercus às 20:38
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Denúncia Quercus: Governo português à beira de uso escandaloso de 2,1 mil milhões de euros de verbas relacionadas com a política de alterações climáticas

O comércio europeu de licenças de emissão (CELE) é um dos principais instrumentos de mitigação das emissões de gases com efeito de estufa. Iniciado com três anos experimentais, entre 2005 e 2007, o CELE está de momento numa segunda fase correspondente ao período de cumprimento do Protocolo de Quioto (2008-2012). Nestes dois períodos referidos, a cada uma das instalações industriais abrangidas foi atribuído gratuitamente um determinado montante de licenças de emissão de dióxido de carbono (CO2) de acordo nomeadamente com o seu historial de poluição: caso a empresa necessitasse de mais licenças teria que ir ao mercado adquiri-las, ou, em caso de excesso, poderia retê-las ou vendê-las também no mercado. Em Portugal, um pouco mais de duas centenas de instalações estão abrangidas pelo CELE.

 

Na próxima fase, e de acordo com a Directiva 2009/29/CE de 23 de Abril, a partir de 1 de Janeiro de 2013 e até ao ano 2020, todas as licenças de emissão de dióxido de carbono (CO2) a efectuar pelo sector da produção de electricidade (centrais termoeléctricas) terão de ser adquiridas através de leilão, à excepção de uma pequena parte de licenças que as empresas possam dispor ainda da segunda fase (2008-2012) e que podem transferir para este novo período. Numa fase inicial, para além da totalidade do sector eléctrico, também 20% das licenças das restantes instalações terão de ser adquiridas em leilão, percentagem que subirá progressivamente até ao ano de 2020.

 

A Quercus tomou conhecimento que o governo português, em particular o Ministério da Economia, quer utilizar as receitas do leilão, principalmente o maior volume associado ao leilão das licenças do sector eléctrico, na redução genérica do défice tarifário existente que cujo valor resulta principalmente da absorção dos elevados custos de combustíveis fósseis como o uso de petróleo, carvão e gás natural, o que vai absolutamente contra o espírito da Directiva referida. O actual défice tarifário no valor de 1,8 mil milhões de euros, 1,4 mil milhões de euros está associado à produção nas centrais termoeléctricas e, apenas,  400 milhões de euros aos sobrecustos da electricidade produzida a partir de fontes renováveis.

 

O governo decidiu recentemente não repercutir o verdadeiro custo do défice, que todos os dias se agrava, aumentando as tarifas da electricidade em apenas 4% e perspectivando que no futuro o aumento nunca será mais significativo, e querendo assegurar já o encaixe da parte da receita de leilão das licenças de emissão correspondente ao sector eléctrico.

 

As centrais térmicas representam cerca de um terço do total das emissões no actual Plano Nacional de Alocação de Licenças de Emissão (PNALE). Esta receita entre 2013 e 2020, estima-se que possa atingir um valor total de 2,1 mil milhões de euros para Portugal, sendo que em 2013 o sector eléctrico terá um peso na receita da ordem dos 83%, reduzindo-se depois progressivamente até 2020 pelo maior contributo da restante indústria.

 

Ao mesmo tempo, o Ministério da Economia quer ainda utilizar as referidas verbas para financiar a criação de um novo “défice tarifário” através do objectivo arbitrário de limitar os aumentos anuais dos custos da eletricidade nas tarifas a 1,5%, entre 2013 e 2020. Em nome da “competitividade”, o Governo neutraliza assim o principal instrumento de política de clima da Europa.

 

A legislação comunitária é muito clara: “pelo menos 50% das receitas geradas com a venda em leilão das licenças de emissão” devem ser utilizadas para o desenvolvimento de energias renováveis para o compromisso europeu de utilização de 20% de energias renováveis até 2020 e no desenvolvimento de outras tecnologias que contribuam para a transição para uma economia segura e sustentável, com baixo teor de carbono e, para cumprir o compromisso europeu de aumento de 20% da eficiência energética.

 

As receitas do leilão devem também financiar o incentivo à transição para formas de transporte público e com baixos níveis de emissão, o financiamento de acções de investigação e desenvolvimento nos domínios da eficiência energética e das tecnologias limpa, medidas que visem o aumento da eficiência energética, e ainda a contribuição para o financiamento de acções relacionadas com a mitigação ou adaptação às alterações climáticas à escala internacional.

 

No espírito da legislação comunitária, a Quercus considera aceitável que parte da receita do leilão das licenças de emissão seja para cobrir os sobrecustos futuros associados às renováveis, mas é impensável que esta receita seja para pagar a produção de energia eléctrica poluente e de investimentos passados que deveriam ter sido devidamente alocados, desvirtuando completamente a Directiva em questão.

 

Ambiente e Economia com visões muito diferentes; Quercus já contactou Secretário de Estado do Ambiente e aguarda reunião com Secretário de Estado da Energia


A Quercus teve já oportunidade de expor o seu ponto de vista ao Secretário de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, Pedro Afonso de Paulo, e pediu uma reunião com o Secretário de Estado da Energia no passado dia 17 de Outubro, para discutir este tema entre outros, mas ainda sem resposta. A Quercus sabe que há visões muito diferentes dentro do governo sobre esta matéria, nomeadamente com fortes objecções por parte do Ministério da Economia a um uso de verbas angariadas pelos leilões em áreas como as energias renováveis. Aliás, a Quercus aguarda com expectativa o próximo Plano Nacional de Acção para as Energias Renováveis (PNAER), bem como tomar conhecimento da concretização, supostamente ambiciosa, das medidas associadas ao actual e futuro Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE).

 

Quercus dá início a contactos à escala europeia


A par deste comunicado de imprensa, a Quercus está a contactar dezenas de outras associações da Rede Europeia de Acção Climática de que é membro, a enviar cartas aos eurodeputados portugueses de alerta para esta situação, para além de informar a Comissão Europeia. Note-se que outros países como a Alemanha já definiram orientações consistentes com o previsto na Directiva, facto que Portugal parece determinado a não fazer.

 

Lisboa, 4 de Novembro de 2011

 A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

por Quercus às 10:10
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Projecto VOTO pelo CLIMA

 

Climate Vote Project

 

Projecto espera conseguir até 29 de Novembro de 2011 o apoio de 10 milhões de utilizadores do Facebook. Eles querem a continuação do protocolo de Quioto.

 

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por Quercus às 13:57
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

10 Out. - Conclusões do Conselho Europeu na preparação para Durban

 

 

Na reunião ocorrida dia 10 de Outubro, os ministros de ambiente da União Europeia sublinharam a urgência de estabelecer um regime internacional e ambicioso de combate às alterações climáticas, envolvendo as maiores economias mundiais. Neste contexto, apelaram para um acordo global e juridicamente vinculativo o mais abrangente possível, a fim de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2º Célsius em relação ao nível pré-industrial garantindo a sua legalidade, previsibilidade, reciprocidade e comparabilidade, e, mais ainda, enviando um sinal político forte de vontade de agir de todas as nações. Nas conclusões do Conselho é recordada a preocupação do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre as alterações climáticas e de que como estas podem agravar as ameaças já existentes à paz e segurança mundial.

 

A União Europeia, através dos seus ministros do ambiente, sublinhou ainda a necessidade de se verem resultados equilibrados e sólidos dentro do Protocolo de Quioto e da Convenção, em Durban. Embora prefira um instrumento único, global e legalmente vinculativo, confirmou a sua abertura a um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, como parte de uma transição para um quadro mais amplo e juridicamente vinculativo, desde que:

 

- Os elementos essenciais do Protocolo de Quioto sejam preservados, a sua integridade ambiental garantida e a sua arquitectura reforçada, inclusivamente sobre o Uso do Solo, Alterações do Uso do Solo e Floresta (LULUCF, na sigla em inglês), sobre os excedentes de Unidades de Quantidade Atribuída (da sigla em inglês, AAUs) e mecanismos baseados no mercado;

 

- A Convenção venha a abordar as principais questões pendentes e determinar um roteiro, incluindo um calendário com uma data final para o processo e uma revisão entre 2013- 2015, para englobar todos as Partes num quadro juridicamente vinculativo que convirja com o fim do segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. Este quadro deve incluir compromissos de redução, em particular das maiores economias, em consonância com o princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada e tendo em conta as capacidades das partes.

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por Quercus às 15:44
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Domingo, 9 de Outubro de 2011

Quercus apela à Ministra do Ambiente para defender Quioto assumindo posição mais progressista

© European Union, 2011

© European Union, 2011

 

Na próxima segunda feira, dia 10 de Outubro, os ministros do ambiente da Europa estarão reunidos em Conselho Europeu, sendo o tema das Alterações Climáticas um dos tópicos importantes de discussão. Por impossibilidade da Ministra do Ambiente, Portugal será representado neste Conselho, em Bruxelas, pelo Secretário de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, Pedro Afonso de Paulo. É tempo da Europa promover os seus próprios interesses e salvar o Protocolo de Quioto.


Mais uma vez os títulos da imprensa na Europa são dominados por uma crise financeira que nunca foi realmente interrompida após o seu começo em 2008. Os governos europeus estão a lutar para impedir a economia europeia de entrar em queda livre e aumentar ainda mais as dificuldades já sentidas por muitos.

 

A crise pode ter nascido nos Estados Unidos da América (EUA) mas, como agora sabemos, os sinais de crise iminente já se faziam sentir na União Europeia. No entanto, os nossos legisladores falharam legislar, os reguladores falharam regular e os bancos centrais não foram capazes de prevenir a difícil situação económica e política que a Europa hoje atravessa.

 

O mesmo não pode ser dito sobre a União Europeia (UE) quando se trata da sua liderança sobre as alterações climáticas, uma questão global que cada vez mais ameaça a nossa segurança, saúde e prosperidade. É aqui que a Europa merece um elogio por ter reconhecido precocemente os dados científicos, os riscos, a necessidade de acção global e os custos da inacção. A UE respondeu à ameaça ao defender uma solução multilateral, ao assinar prontamente o Protocolo de Quioto e a liderar com os seus próprios objectivos e planos domésticos de redução de gases de efeito de estufa (GEE). Mas o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto termina em 2012 e, por isso, no meio desta crise económica aguda, a liderança europeia necessita de voltar a sua atenção para o futuro, reforçando a continuidade do Protocolo de Quioto, como a melhor maneira de servir os interesses estratégicos da Europa.

 

Há apenas dois caminhos possíveis para a Europa na conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU), a realizar em Durban - estender o seu compromisso com o Protocolo de Quioto ou ajudar a ditar o seu fim. Um segundo período de compromisso não exigirá da União Europeia reduções adicionais das suas emissões. A Europa já assumiu o compromisso de redução de emissões de GEE no espaço europeu até 2020, bem para além de um segundo período de compromisso. A Europa deve aproveitar o que já está a fazer, estendendo o seu compromisso com o Protocolo de Quioto e dar novo fôlego às conversações climáticas em Durban.

 

Ao fazê-lo, estará a estimular a boa vontade entre as nações em desenvolvimento e lançar a base de confiança necessária para ser conseguido um acordo envolvendo todos os principais países nos próximos anos. Alternativamente, a UE pode seguir o exemplo da política dos EUA e associar-se ao fim do Protocolo de Quioto. Neste cenário, o mundo ficará sem uma lei internacional sobre a protecção climática depois de 2012 e, talvez mais importante, sem força ou confiança na governança internacional para enfrentar a mais eminente ameaça global dos nossos tempos.

 

A liderança da UE em matéria de alterações climáticas não tem sido um fracasso diplomático. A UE Tem estimulado o investimento maciço em energias renováveis na Europa e em todo o mundo e criou a estrutura e a arquitectura para um negócio verdadeiramente global. Há quinze anos, a UE decidiu que a única maneira de proteger os interesses da Europa contra a devastação das alterações climáticas era por via do acordo internacional – a Europa estava certa e o acordo internacional veio reforçar os seus interesses e definir a sua estratégia.

 

A Quercus apela ao Ministério do Ambiente para mudar a sua posição actualmente pouco clara e ambiciosa relativamente à continuidade do Protocolo de Quioto, dando em conjunto com outros Estados-membros um sinal claro de que a UE está preparada para assumir novamente um papel de liderança perante a comunidade internacional.


Só quando a UE der um sinal claro sobre a sua disponibilidade para aceitar a continuação do Protocolo de Quioto, também será capaz de garantir a integridade ambiental das suas regras, e que todos os grandes emissores de gases de efeito de estufa convirjam num regime juridicamente vinculativo que vai realmente contribuir para salvar o clima e o nosso planeta.

por Quercus às 10:35
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Menos chuva e mais carvão disparam emissões de CO2 em cerca de 2 milhões de toneladas

No início deste mês de Outubro, em que o preço da electricidade sobe consideravelmente devido ao aumento da taxa do imposto de valor acrescentado (IVA), a Quercus analisou os dados disponibilizados pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) no que respeita à produção e consumo de energia eléctrica em Portugal entre Janeiro e Setembro de 2011, em particular por comparação com o período homólogo de 2010 (os dados foram consultados no sítio internet www.ren.pt).

 

Verão ameno, crise, e anúncio do aumento do IVA reduzem consumo

No que respeita à análise de meses homólogos, em Julho e Agosto de 2011 registou-se uma redução de consumo de 5,2% face aos mesmos meses de 2010. Já o consumo entre os períodos homólogos de Janeiro a Setembro de 2011 e 2010 apresenta uma redução de 2,4%. A Quercus considera que esta redução substancial se deveu à crise económica, aliada a um Verão menos quente e com menores necessidades de climatização que 2010. Outro factor adjuvante terá sido o anúncio, já em Agosto passado, do aumento generalizado dos preços que pode ter estado na origem de comportamentos de poupança. Note-se que este valor de 9 meses é inferior à redução do produto interno bruto (PIB) prevista pelo Banco Portugal para 2011, o que significa uma melhoria ligeira da intensidade energética na componente electricidade.

Menos renováveis, mais emissões, menos importação

O ano hidrológico de 2010/2011 que terminou a 30 de Setembro, foi um ano médio do ponto de vista da produção de hidroelectricidade, bem abaixo do ano hidrológico 2009/2010, em que a produtibilidade hidroeléctrica foi 32% mais elevada que o normal. Tendo por base o período de 9 meses entre Janeiro e Setembro de 2011, a produtibilidade eólica foi praticamente igual à média,  inferior também à do período homólogo, 9% mais elevada que este ano. Ainda assim, neste mesmo período, o peso de fontes renováveis na produção de electricidade desceu de 54,2% para 47,3%, sendo que a Quercus considera que este último valor é ainda bastante significativo. Portugal conseguiu também reduzir o seu saldo importador em cerca de 12%.

O menor peso das renováveis e o maior recurso à produção (mais 1799 GWh) através das duas centrais térmicas a carvão (Sines e Pego) em Portugal, conduziu a um aumento global de emissões de dióxido de carbono nos primeiros nove meses deste ano, estimado pela Quercus em quase dois milhões de toneladas, sendo 1,6 milhões de toneladas da responsabilidade  das duas centrais referidas. Este valor, apesar de elevado, não deverá conduzir a uma ultrapassagem dos limites fixados para Portugal no âmbito do Protocolo de Quioto, tendo em conta as reduções globais de emissões conseguidas em 2009, 2010 e também em 2011 noutros sectores.

por Quercus às 00:55
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