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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

O futuro ameaçado*

Durban, na África do Sul, deveria ser um dos centros de atenção do mundo até 9 de Dezembro. Pela Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, passam as decisões políticas do futuro do clima, mas acima de tudo, da humanidade.

 

Recentemente, a Agência Internacional de Energia afirmou que se não for invertido o actual cenário crescente de queima de combustíveis fósseis até 2017, atingiremos nessa altura as emissões de carbono inicialmente previstas para o ano de 2035, tornando inevitável um aquecimento superior a 2 ºC em relação à era pré-industrial, o que poderá ter consequências dramáticas. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) publicou um relatório onde associa a maior frequência e severidade de um conjunto de eventos meteorológicos extremos às alterações climáticas. As perdas e danos associados a cheias, tempestades e ondas de calor apenas na Europa foram estimadas em mais de 11 mil milhões de euros em 2010. Por último, a OCDE anunciou que, ao ritmo actual, duplicaremos as emissões nos próximos 40 anos, resultando num aumento médio da temperatura entre 3 e 6 graus até 2100.

 

O mundo necessita assim, mais urgentemente que nunca, de um acordo climático bem sucedido. Durban está a ser uma conferência difícil, mas pode mesmo assim representar um passo em frente, se traçar um caminho para um acordo global, ambicioso e vinculativo – leia-se a ser assinado por todos os países desenvolvidos, economias emergentes e outros países em desenvolvimento. Este acordo tem de ser concretizado em 2015, pois 2020, como alguns defendem, é demasiado tarde, e deve começar com a continuação de um segundo período do Protocolo de Quioto, que expira no final de 2012. Apesar da proclamada desistência de países relevantes como o Canadá, Japão ou Rússia e da não adesão dos Estados Unidos, os países em desenvolvimento e a Europa já mostraram o seu empenho em sair de Durban com compromissos. Os países desenvolvidos devem fixar objectivos em linha com os Acordos de Cancún, de pelo menos 25 a 40% de redução de emissões até 2020, comparativamente com 1990, sem recorrerem a estratégias camufladas, nomeadamente envolvendo uma contabilização exagerada das emissões evitadas pelo uso do solo e floresta. É também fundamental que a China e outras economias emergentes assumam acções de mitigação. É ainda necessário assegurar financiamento para o novo Fundo Climático Verde, a partir de 2013.

 

No que respeita a Portugal, é fundamental promover e educar a população e empresas para uma redução de consumos energéticos, aumento da eficiência energética e recurso às energias renováveis. A revisão em baixa das metas nacionais de electricidade de origem renovável para 2020 e a quebra de incentivos em sede de IRS à eficiência energética e às renováveis (com relevo para a água quente solar), a que se associa um aumento do IVA de 13% para 23%, são sinais de uma visão limitada de uma crise que merecia um olhar mais abrangente e longínquo no tempo.

 

Francisco Ferreira, Quercus (em Durban)

*artigo publicado na última edição do jornal Expresso

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por Quercus às 11:49
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